Friday, October 06, 2006

Expresso - Análise à edição online do semanário português

Sabendo que a maioria dos jornais digitais são "cópias informatizadas" das edições diárias dos jornais impressos, é interessante observar a instanteneidade de um semanário.

Já que o webjornalismo português é "pseudo-feito" através das notícias escritas e publicadas diariamente em papel impresso, seria de esperar, a priori, que o site deste semanário não contivesse qualquer tipo de instantaneidade e fosse pouco actual. Contudo, o Expresso consegue ser mais instantâneo que a maioria dos jornais digitais, como por exemplo o Diário de Notícias ou o Correio da Manhã, cuja instantaneidade é a mesma que das edições impressas, ou seja, ao longo do dia não há qualquer actualização. O Expresso possui um serviço de notícias que está em constante actualização, com a vantagem do seu conteúdo informativo ser escrito exclusivamente para a web e para ser lido numa tela, evitando assim textos longos e exaustivos. Neste aspecto, o jornal só fica a perder por não explorar devidamente os recursos multimédia de que dispõe para enriquecer as notícias de última hora, como acontece com as restantes notícias.

No que se refere à perenidade, ou seja, à capacidade de armazenamento de informação de edições passadas, neste jornal ela é acentuada. Há um vasto arquivo - desde Janeiro de 2006 - que o internauta pode consultar para, por exemplo, se inteirar de uma notícia que já teve desenvolvimentos posteriores. A leitura não é, assim, tão limitada, podendo o leitor fazer enquadramentos e contextualizações de determinados assuntos.

Em compensação, o jornal prima pela interactividade. Quase todas as notícias são passíveis de serem comentadas; realizam-se votações sobre temas controversos; há fóruns, páginas opinativas, blogues, "cidadão repórter", cartas, enfim, diversas possibilidades do leitor não ser só um mero receptor de informação: mas também um emissor, participativo e activo, cuja opinião é valorizada. Aliás, sendo este um jornal de frequência semanal, é de seu interesse analisar o seu público, para deste modo responder melhor às suas exigências e, corresponder aos seus gostos. Além disso, o leitor não tem, obrigatoriamente, que seguir uma linha linear de leitura - pode escolher o que quer ler e com que ordem hierárquica.

No que se refre à multimedialidade, ou até mesmo à hipertextualidade, todo o site é muito pobre. Há recursos multimédicos - como imagens animadas - que simplesmente não se encontram, e outros - como fotogalerias, registos áudio, links e vídeos - que rareiam, e, para agravar, não estão associados às notícias escritas. Encontram-se numa página à parte, intitulada "Multimédia", isolados das notícias relacionadas. Ou seja, há um deficiente aproveitamento das ferramentas de que o ciberespaço dispõe, não se tornando assim o conteúdo noticioso mais apelativo, mais compreensível e mais completo.

O design gráfico é linear e apagado. Praticamente não há cores e os tipos e tamanhos de letras são excessivamente semelhantes. Os próprios destaques não são devidamente chamativos. Além disso, as notícias não estão compartimenentadas por editorias: encontram-se todas misturadas, o que dificulta a busca. Há, deste modo, uma má organização dos conteúdos, que deveriam estar dispostos de uma forma compartimentada.

É importante referir que na Página Inicial se encontra, do lado esquerdo, uma barra vertical, em que estão discriminadas todas as utilidades/curiosidades do site, como fóruns, o cartaz, emprego, imobiliário, blogues etc.

Em suma, apesar de ter vantagem em factores como a instantaneidade, interactividade e perenidade, o jornal fica a perder pela insuficiente exploração multimédica, pela excessiva simplicidade do seu grafismo e, sobretudo, pela má organização das poucas notícias dadas, que estão amontoadas.

Monday, October 02, 2006

2006 Online Journalism Awards – Finalists

General Excellence in Journalism Online (Large)
The New York Times

Tendo a “interactividade”, a “multimedialidade”, o "design gráfico" e o “conteúdo” como principais factores de análise dos cinco jornais online – MSNBC, The New York Times, Star Tribune, USA Today e Washington Post – considero ser evidente a superioridade do The New York Times.

No que diz respeito à multimedialidade, o jornal prima pela escrita em hipertexto, complementando desta forma os conteúdos escritos com hiperligações múltiplas. Vídeos, imagens, gráficos (...) são elementos multimédicos que tornam a informação mais completa e acessível. Em algumas notícias encontram-se blogs relacionados recomendados, um outro ponto faz este jornal sobressair-se. Além disso, muitas das suas informações são acompanhadas de formatos áudios, o que enriquece substancialmente os conteúdos noticiosos, pois acentua a credibilidade e variedade de utensílios de pesquisa. Curiosamente este é o único jornal online (de entre os nomeados) que o faz.

Esta supremacia miltimediática favorece a interactividade entre o jornal e o “leitor”, pois permite ao último fazer uma leitura selectiva, não sequencial e não pré-definida dos dados que tem ao seu dispor. Há leituras plurais, o que implica que o leitor não seja passivo, mas sim interactivo e participativo na sua pesquisa. Além disso, neste jornal, é permitido ao visitante deixar comentários relativos aos temas abordados, prova incontestável de interactividade, que rareia nos restantes jornais.

Quanto à forma e ao conteúdo, o The New York Times destaca-se pela sua boa organização. Os conteúdos estão dispostos cirurgicamente na página, preenchendo-a por completo desde a sua margem esquerda até à direita, o que, refira-se, não se verifica nos restantes jornais, uma vez que deixam inúmeros espaços em branco. Estes vazios laterais não são agradáveis à vista do leitor e, de certo modo, não atraem. É notória neste site a existência de um design gráfico atractivo visualmente. Um outro ponto de registo do The New York Times, é o facto de as notícias em destaque serem compostas, na página inicial, não só pelo título, mas também por um pequeno lead, que elucida o leitor acerca da notícia em questão. Para além das notícias, nos conteúdos deste jornal destacam-se também utilidades e curiosidades várias. Muito importante também, é o facto do jornal apresentar um vasto leque de notícias, muito superior ao encontrado em todos os outros jornais, senão vejamos:

- No jornal MSNBC encontram-se 11 “agrupamentos” diferentes de notícias, abordando, cada um deles, um tema diferente, e tendo cada um deles em média 3 notícias do mesmo tema.
- O Star Tribune tem 8 conjuntos noticiosos.
- O USA Today tem 7 “agrupamentos”.
- O Washington Post tem 10 “agrupamentos”.
- E finalmente, o The New York Times tem 23 conjuntos noticiosos distintos, os quais passo a citar: World, business, opinion, U.S., technology, arts, Washington, sports, movies, travel, N.Y./ region, science, dining & wine, theatre, health, home & garden, books, education, fashion & style, week in review, automobiles, real estate e magazine. É notória a maior diversidade e amplitude deste jornal, o que o diferencia de todos os outros.

Em conclusão, o The New York Times, mais do que todos os outros nomeados, tem uma enorme variedade de conteúdos, inseridos num design apelativo e com uma escrita altamente hipertextualizada e, consequentemente, interactiva.

Breaking News (Large)
CNN

Desde logo, a Home Page da CNN é muito mais atractiva que as dos restantes nomeados. Nota-se um excelente contraste de cores, uma rigorosa disposição dos conteúdos e um fácil acesso às várias categorias de notícias. E embora seja rica em conteúdos, a página não é confusa, dada a brilhante organização e a qualidade de grafismo a que está sujeita, que se evidencia na análise comparada com os restantes nomeados, francamente inferiores. É de fácil e rápido acesso, em que o leitor encontra facilmente o que procura. De salientar ainda a riqueza em elementos multimédicos como o vídeo, a imagem, as galerias de fotos etc.

Outstanding Use of Multiple Media (Large)
USA Today


Nesta nomeação a escolha recai sobre o USA Today, pois para além de apostar em ferramentas multimédia, tem os seus conteúdos bem organizados e compartimentados em temas, o que facilita significativamente a busca. O seu design gráfico é atractivo, sendo que o contraste de cores, a sua vivacidade e a variedade dos tipos de letras captam a atenção do leitor, fazendo com que ele se interesse por notícias que à partida lhe eram indiferentes.

Student journalism (Large)
Rezoned

O Rezoned tem uma multiplicidade de links que enriquecem e complementam a informação. Por este motivo a interactividade também está presente, pois o leitor não é "obrigado" a ler o que o jornal lhe impõe. Pode, pelo contrário, optar, de entre as muitas vias que tem ao seu dispor. O seu formato/grafismo é agradável à vista e apelativo. Tendo em consideração o amadorismo dos seus criadores, e tendo como termo de comparação os restantes sites, este jornal online possui um grau de qualidade bastante aceitável.