Expresso - Análise à edição online do semanário português
Sabendo que a maioria dos jornais digitais são "cópias informatizadas" das edições diárias dos jornais impressos, é interessante observar a instanteneidade de um semanário.Já que o webjornalismo português é "pseudo-feito" através das notícias escritas e publicadas diariamente em papel impresso, seria de esperar, a priori, que o site deste semanário não contivesse qualquer tipo de instantaneidade e fosse pouco actual. Contudo, o Expresso consegue ser mais instantâneo que a maioria dos jornais digitais, como por exemplo o Diário de Notícias ou o Correio da Manhã, cuja instantaneidade é a mesma que das edições impressas, ou seja, ao longo do dia não há qualquer actualização. O Expresso possui um serviço de notícias que está em constante actualização, com a vantagem do seu conteúdo informativo ser escrito exclusivamente para a web e para ser lido numa tela, evitando assim textos longos e exaustivos. Neste aspecto, o jornal só fica a perder por não explorar devidamente os recursos multimédia de que dispõe para enriquecer as notícias de última hora, como acontece com as restantes notícias.
No que se refere à perenidade, ou seja, à capacidade de armazenamento de informação de edições passadas, neste jornal ela é acentuada. Há um vasto arquivo - desde Janeiro de 2006 - que o internauta pode consultar para, por exemplo, se inteirar de uma notícia que já teve desenvolvimentos posteriores. A leitura não é, assim, tão limitada, podendo o leitor fazer enquadramentos e contextualizações de determinados assuntos.
Em compensação, o jornal prima pela interactividade. Quase todas as notícias são passíveis de serem comentadas; realizam-se votações sobre temas controversos; há fóruns, páginas opinativas, blogues, "cidadão repórter", cartas, enfim, diversas possibilidades do leitor não ser só um mero receptor de informação: mas também um emissor, participativo e activo, cuja opinião é valorizada. Aliás, sendo este um jornal de frequência semanal, é de seu interesse analisar o seu público, para deste modo responder melhor às suas exigências e, corresponder aos seus gostos. Além disso, o leitor não tem, obrigatoriamente, que seguir uma linha linear de leitura - pode escolher o que quer ler e com que ordem hierárquica.
No que se refre à multimedialidade, ou até mesmo à hipertextualidade, todo o site é muito pobre. Há recursos multimédicos - como imagens animadas - que simplesmente não se encontram, e outros - como fotogalerias, registos áudio, links e vídeos - que rareiam, e, para agravar, não estão associados às notícias escritas. Encontram-se numa página à parte, intitulada "Multimédia", isolados das notícias relacionadas. Ou seja, há um deficiente aproveitamento das ferramentas de que o ciberespaço dispõe, não se tornando assim o conteúdo noticioso mais apelativo, mais compreensível e mais completo.
O design gráfico é linear e apagado. Praticamente não há cores e os tipos e tamanhos de letras são excessivamente semelhantes. Os próprios destaques não são devidamente chamativos. Além disso, as notícias não estão compartimenentadas por editorias: encontram-se todas misturadas, o que dificulta a busca. Há, deste modo, uma má organização dos conteúdos, que deveriam estar dispostos de uma forma compartimentada.
É importante referir que na Página Inicial se encontra, do lado esquerdo, uma barra vertical, em que estão discriminadas todas as utilidades/curiosidades do site, como fóruns, o cartaz, emprego, imobiliário, blogues etc.
Em suma, apesar de ter vantagem em factores como a instantaneidade, interactividade e perenidade, o jornal fica a perder pela insuficiente exploração multimédica, pela excessiva simplicidade do seu grafismo e, sobretudo, pela má organização das poucas notícias dadas, que estão amontoadas.

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